50 anos da morte do instituidor da Fundação da Casa de Mateus

No dia 8 de Janeiro de 1973, morre D. Francisco de Sousa Botelho de Albuquerque, 6º Conde de Vila Real, 5º Conde de Melo e 3º Conde de Mangualde. Dois anos antes, em Dezembro de 1970, concluíra a sua obra maior, aquela a que dedicou quase toda uma vida: a instituição da Fundação da Casa de Mateus, com a doação para fins de serviço público do conjunto arquitetónico composto pela Casa, Capela e Casas da Adega, de um perímetro composto por jardins históricos, pomares, vinhas e zona de bosque e de um extenso espólio constituído por arquivo, biblioteca e coleções museológicas.

A partir de 1943, ainda a par de sua mãe, a Condessa de Mangualde, D. Francisco empreende uma vasta operação de recuperação e valorização do património da Casa. Constrói, a partir de uma ideia sua, um dos maiores ícones dos jardins, o Túnel de Cedros, convida o Arq. António Lino a conceber o Jardim de Água e o pintor Paulo Bensliman a desenhar o Jardim das Coroas e cria as monumentais alamedas de buxo que atravessam o Pomar de Recreio. Já no início dos anos 60, revoluciona a imagem que temos da Casa ao encomendar ao Arq. Gonçalo Ribeiro Telles o magnífico Espelho de Água e o Parque de entrada, que conferem um enquadramento cenográfico único às fachadas da Casa e da Capela. Em 1961, inaugura o Museu e abre a Casa a uma comunidade alargada, conjugando a arquitetura e a paisagem, o património histórico e o património ambiental, com a valorização de um espólio único e de um Arquivo centenário que nos contam a relação da família com a história de Portugal e das suas relações com o Mundo.

Ao instituir a Fundação da Casa de Mateus, no dia 3 de Dezembro de 1970, D. Francisco confere um sentido global a este projeto familiar. Permitindo a preservação da integridade do património, como no seu devido tempo o permitira a figura do Morgadio, a Fundação fixa objetivos estatutários mais vastos e soma à preservação patrimonial um conjunto de missões culturais, artísticas, educativas e científicas que a consolidam como um agente territorial capaz de fazer ligações entre passado, presente e futuro, ou entre uma perspetiva enraizada na Região e um olhar global sobre os desafios contemporâneos. Mais do que gerir um sítio patrimonial, a Fundação da Casa de Mateus formula um modo de pensar e estar no mundo, num particular e original espírito de continuidade que remonta ao séc. XVI e se realiza a cada momento no seu tempo e para o seguinte.

Neste mês de Janeiro – fatídico também para os seus filhos, D. Fernando de Sousa Botelho de Albuquerque, seu sucessor (1941/2022), de quem assinalamos no dia 13 o primeiro aniversário da morte, e D. Francisco de Sousa Botelho de Albuquerque, filho mais novo (1945/2014), no mesmo dia 8 – homenageamos o gesto de instituição da Fundação com uma Missa, a celebrar no próximo domingo, dia 15, pelas 16h00, a que se seguirá uma conversa aberta sobre as suas grandes personagens.