Repensar Ibéria

(Casa Mateus, Vila Real, 12-14 de outubro 2018)

Coordenação Ramón Villares | Teresa Albuquerque

Pensar de forma conjunta a realidade social, cultural e política da Península ibérica conta com uma certa tradição, pelo menos desde os tempos do romantismo iberista, mas nunca foi praticada de forma permanente, devido a receios ou ao que popularmente se conhece como viver de “costas voltadas”.

Para além disso, muitos daqueles debates de traços formais iberistas não passavam da retórica: podiam ser mais jogos intelectuais que análises realistas de propostas de ação política. No entanto, este tipo de debates continua a ser muito necessário na atualidade, tanto pelo carácter transnacional que esta reflexão pode atingir como pela especial relação que os estados ibéricos têm com o mundo atlântico, nomeadamente o ibero-americano.

Há na Casa de Mateus uma já longa tradição de reflexão sobre os problemas estruturantes da sociedade, que se desenvolveu, nomeadamente, nos seminários “Repensar Portugal” que versaram sobre temas como a educação (1978), a regionalização (1995) ou a sustentabilidade do projecto de país como no PensarRe Portugal (2011). É também preciso recordar encontros de grande alento, como os promovidos pela Fundação Banco Exterior de Espanha e Fundação Calouste Gulbenkian (Sintra e Oeiras, 1983) e os realizados no ano 1998 e com motivo do quinto centenário dos Descobrimentos e da Exposição Universal de Lisboa.

Nesta perspetiva, pensamos que é mais necessário do que nunca recuperar estes espaços de diálogo, desligados de qualquer celebração ou comemoração histórica, para afrontar de modo conjunto um debate sobre os desafios que os dois estados ibéricos têm na época presente e no futuro imediato, quer nas suas relações mútuas quer de forma mais alargada no conjunto da União Europeia e mesmo no seio das comunidades ibero-americanas.

Os estados ibéricos padeceram em tempos recentes não só uma forte crise económica, senão também, por terem sido olhados de novo através de velhos estereótipos que parecem lembrar as cogitações de um Antero de Quental sobre As causas da decadência dos povos peninsulares. Agora que os efeitos da crise económica foram parcialmente superados, é o momento adequado para lançar este tipo de reflexão e, sobretudo, de propostas para o futuro. São viáveis os estados-nação? como superar os bloqueios da construção europeia? que vantagens e oportunidades têm os estados ibéricos na geopolítica atual?

Neste sentido, propomos um seminário que deve estar centrado em vários blocos de debate, mas com um elo comum, que é pensar ou “repensar” a Ibéria no seu conjunto e como parte essencial da Europa ocidental e do espaço atlântico. O formato do seminário deve ser de discussão aberta, entre oradores e convidados específicos, seguida de conclusões a publicar posteriormente.

 

Temas

Das “costas voltadas” à integração europeia

A transição para a democracia dos estados ibéricos

Espaço ibérico e políticas públicas – Economia, Ambiente, Energia

Cooperação e políticas de governança no contexto ibérico e europeu

Ibéria como fronteira demográfica europeia

Culturas ibéricas, culturas atlânticas

Ibéria, entre Europa e América