Nas últimas duas décadas tem-se assistido a uma progressiva reavaliação da obra de Camões, em especial de Os Lusíadas, explorando-se as contradições internas do poema, colocando-se nova ênfase nas influências e na rivalidade de Camões com outros poetas, no diálogo com a Antiguidade Clássica e com os poetas ibéricos e italianos do século XVI. Publicaram-se monografias cujo carácter revolucionário decorreu de não obedecerem a um programa ideológico, com a inevitável repetição de lugares-comuns.

Publicaram-se, e continuam a ser preparadas, edições de comentários inéditos ou inacessíveis de Os Lusíadas, bem como de outras épicas quinhentistas e seiscentistas, em edições que contribuem sobremaneira para o conhecimento da obra de Camões e da sua recepção, na poesia e na crítica, nos séculos que se lhe seguiram. Publicou-se o primeiro dicionário de Camões.

Organizaram-se congressos que abordaram a obra de Camões nos seus mais variados aspectos e sob diferentes pontos de vista. Por fim, mas não menos importante, prepara-se, em parceria luso-brasileira, a edição crítica de Os Lusíadas. Duzentos anos depois da primeira tentativa séria de editar criticamente a epopeia camoniana, é mais do que oportuno reunir, em Outubro de 2018, alguns dos melhores especialistas mundiais de Camões para fazer o estado da arte em matéria de Estudos Camonianos. Deste modo culminará uma devida homenagem ao Morgado de Mateus que, em 1817, homenageou Camões dando à estampa, em Paris, a sua edição monumental de Os Lusíadas. Organizar, sob os auspícios da Fundação da Casa de Mateus, um encontro de críticos literários, filólogos, historiadores, classicistas e estudiosos de Camões, com a finalidade de filtrar e expor o que de melhor se faz hoje nesta área cada vez menos exclusiva dos lusitanistas, é decerto um modo digno de comemorar o bicentenário da edição pioneira e do cosmopolitismo intelectual de D. José Maria de Souza Botelho.

 

Programa

Sexta-feira, 5 de Outubro:

Durante a tarde, chegada e instalação dos participantes

17h30: Participação de Helder Macedo  (King’s College, Londres) no Ciclo de Conversas sobre Arte Ciência e Cultura. Intervenção sobre o tema “O amor que em medo se converte”, discussão moderada por José Eduardo Reis.

19h30: Abertura do Seminário seguida de jantar

Sábado, 6 de Outubro:

9h30: [Edições e comentários]
Arnaldo Espírito Santo (Universidade de Lisboa), “A constutio textus dos Lusíadas: apontamentos sobre variantes, emendas e conjecturas”
Isabel Almeida (Universidade de Lisboa), “Comentar Camões: tradição e renovação”

13h00: Almoço

14h30: [O céu d’Os Lusíadas]
Carlota Simões (Universidade de Coimbra), “A Astronomia dos Lusíadas de Luciano Pereira da Silva”

Carlos Santos (Universidade de Lisboa), “O céu estrelado cantado por Camões: revisitando Os Lusíadas através de plataformas modernas”

16h15: [Os Lusíadas criticados]
Hélio J. S. Alves (Universidade de Évora), “A metáfora, o cultismo e a metáfora cultista: em que outro quinhentista?”
João R. Figueiredo (Universidade de Lisboa), “Arte privada, não do Estado”

PRÉMIO D. DINIZ 2018

18h00: Cerimónia de entrega do Prémio D. Diniz a Helder Macedo, pelo seu livro «Camões e outros Contemporâneos».

Digna-se estar presente o Senhor Presidente da República.

19h30: Jantar

Domingo, 7 de Outubro:

9h30: [Lusíadas & Companhia]
Maria do Céu Fraga, (Universidade dos Açores) “Camões e as convenções dos géneros literários. A atualidade do Morgado de Mateus”.
Ana María Tarrío, (Universidade de Lisboa) “Otium e ócio. Do Cancioneiro Geral a Luís de Camões”.

11h15: [O estado de O estado da arte] José Augusto Cardoso Bernardes, Conclusões.

13h00: Almoço seguido de despedidas

 

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