O Sistema de Informação Casa de Mateus (SICM) divide-se em 13 secções cronológicas, com base nesta coluna, que representa o encadeamento dos sucessivos administradores da Casa até à constituição da Fundação da Casa de Mateus, em 1970, que passou a ser a entidade administradora da Casa de Mateus por determinação do seu Instituidor. A esta coluna, vieram juntar-se numerosos acervos, sendo de destacar em particular o da família Melo (que entrou na nona secção do SICM com o casamento do Conde de Vila Real com a Condessa de Melo) e o da família Mangualde, na secção 10 (resultado do casamento da Condessa de Vila Real e Melo com o Conde de Mangualde).

O acervo arquivístico desta Casa ultrapassa o contexto familiar, assumindo-se hoje como património regional e nacional a ser partilhado, num primeiro momento pela sua dimensão probatória e, consequentemente, pela inegável importância para a gestão do vasto património acumulado.

Como exemplo, temos o esforço de ordenação e de descrição documental levado a cabo por D. Luís António de Sousa Botelho Mourão, sexto morgado, baseada nos princípios racionalistas tão em voga no seu tempo, que concederam ao Cartório da Casa uma estrutura temático-funcional, no sentido de agilizar a recuperação da informação.

O princípio da ordem para o bom uso foi mantido nas gerações subsequentes, de tal forma que o trabalho desenvolvido por D. Luís António se manteve inalterável até aos nossos dias.

Depois, num segundo momento, os documentos do Cartório foram assumindo progressivamente a sua função de “Memória” da Família e da Casa, nos contextos Regional e Nacional.

Atendendo a esta especificidade, nos finais da década de cinquenta do século XX, D. Francisco de Albuquerque, imbuído do espírito reformista que aplicou a toda a Casa, convidou o investigador e bibliotecário-arquivista Luís de Bívar Guerra para proceder à reclassificação da documentação arquivística.

Mais recentemente, em 2001, graças ao apoio de fundos do FEDER, geridos pelo Programa Operacional da Cultura, sob a tutela do Ministério da Cultura, bem como da Fundação Calouste Gulbenkian, a Fundação da Casa de Mateus deu início ao tratamento em larga escala do Arquivo, privilegiando a sua classificação, digitalização e restauro, sob a coordenação científica de Armando Malheiro da Silva.

Neste âmbito, foram recuperados e tratados mais de 800.000 documentos (imagens digitalizadas), foram informatizadas 6087 fichas bibliográficas, e foram inventariadas cerca de 1400 peças das colecções museológicas da Fundação. Desta forma, criaram-se bases de dados digitais para os documentos, para os livros e para as colecções. Procedeu-se ao restauro de documentos em pergaminho e papel, de livros e dos móveis e objectos de arte. Criaram-se espaços para o tratamento do Arquivo, para o Inventário e para as Reservas.

A análise indutiva da informação produzida desde os finais do século XVI, permitiu a estruturação de um Sistema de Informação, baseado em critérios orgânico-funcionais, que se construiu a partir da linha evolutiva da Família, fixando a natural sucessão de administradores da Casa de Mateus, e no qual se integram e diluem vários subsistemas de informação de natureza familiar – procedentes das alianças matrimoniais, doações, entre outros – e de natureza institucional – decorrentes do desempenho de actividades profissionais de vários membros da Família.

O SICM (Sistema de Informação Casa de Mateus) emerge como a representação de um quadro policromático composto por informação produzida nos mais diversos quadrantes, sendo no entanto inegável a predominância da documentação decorrente da administração de propriedades localizadas, principalmente, na região de Vila Real.

Este trabalho deu origem à publicação do “Catálogo do Arquivo da Casa de Mateus”, em 2005, e do CD-Rom, em 2006.

Actualmente, a Fundação da Casa de Mateus tem em curso a organização definitiva do Sistema de Informação e a construção do Arquivo Digital.

 

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Arquivo Digital da Casa de Mateus (brevemente)