Ao fim de oito longos anos em que se viu afastada da possibilidade de obter apoios para a realização das suas missões patrimoniais, culturais e educativas, a Fundação da Casa de Mateus recuperou a possibilidade de ser objeto de apoios públicos. Com efeito, o Conselho de Ministros realizado no dia 10 de Setembro de 2021 decidiu aprovar «a resolução que suspende a decisão relativa à cessação da concessão de apoios financeiros públicos à Fundação da Casa de Mateus, assegurando-se a sua sustentabilidade e a manutenção da prossecução de fins de interesse social.»

Esta decisão vem pôr fim a um processo dificilmente compreensível e cheio de contradições, que se inicia em 2012 com a realização do Censo às Fundações portuguesas. Nesse escrutínio à idoneidade e boa gestão das Fundações, a Fundação da Casa de Mateus classificou-se em primeiro lugar entre as 578 instituições avaliadas, com a pontuação de 78,1. Porém, pouco mais de um ano depois, argumentando precisamente com a boa gestão da Fundação e com a sua viabilidade financeira, a Resolução do Conselho de Ministros nº 13-A de 2013, vinha determinar a «cessação total de apoios públicos à Fundação da Casa de Mateus»…

Seguiram-se anos de crescimento acentuado da atividade turística, nos quais as receitas crescentes da Fundação permitiram financiar o desempenho das suas missões estatutárias. Porém, quando em 2020 irrompe a pandemia e a Fundação se vê obrigada a encerrar as suas portas, primeiro, e depois a enfrentar uma quebra na atividade que rondou, nesse ano, os 80%, ficou claro quão mortal podia ser aquela sentença levianamente traçada em 2013. Perante a necessidade de continuar a preservar e tornar acessível o Monumento Nacional que tem a cargo, a Fundação procurou parcerias, esteve atenta a todas as possibilidades de financiamento de crise… Porém, para onde quer que se virasse, surgia um muro intransponível: a aplicação restrita de uma resolução iníqua, tomada num tempo de exceção que já lá vai, felizmente, e que impedia uma resposta concreta a este tempo de exceção que está aqui.

Após insistentes esforços por parte da Fundação, secundados por um parecer do Conselho Português das Fundações e pelo apoio irrestrito de muitas entidades locais, regionais e nacionais, esta situação é agora revertida. Abre-se uma nova etapa, em que a Fundação poderá aceder, em condições normais, como qualquer outra instituição de interesse público com uma missão cultural e educativa, a parcerias e apoios públicos que garantam a estabilidade do seu cumprimento. Trata-se, tão-só de reconhecer a importância deste trabalho no quadro de uma região de baixa densidade, a sua dimensão de ativo territorial do qual o todo nacional não se pode privar. Dado este passo fundamental, a Fundação da Casa de Mateus espera agora o próximo: a concretização efetiva de parcerias prolongadas com o Ministério da Cultura e outras entidades públicas com responsabilidades nas áreas em que desenvolve a sua missão, que permitam potenciar todo o manancial de ideias, relações e projetos que a Fundação transporta. Sigamos, então, rumo ao futuro!