Aprendizagens Essenciais articuladas com o Património Histórico da Casa de Mateus

 

Conhecer e compreender o Antigo Regime europeu a nível político e social

A hierarquização social da sociedade do Antigo Regime está patente na arquitetura da Casa de Mateus, uma casa senhorial, com o Andar Nobre, “ Piano Nobile”, e a sua organização espacial representativa do modo de vida que ali se concretizava. Identificar e compreender o retrato do magnânimo, D João V, como figura máxima do estado português durante a primeira metade do século XVIII e símbolo do absolutismo régio.

Reconhecer o peso da economia rural no Antigo Regime, sublinhando o atraso da agricultura devido à permanência do Regime Senhorial através da história da Casa de Mateus e da sua gestão patrimonial sucessiva e consolidada com instituição do vínculo fundiário, Morgadio.


Conhecer e compreender a forma como Portugal foi marcado por estes processos de transformação cultural e religiosa: da Reforma Protestante à Contrarreforma

 Sublinhar a importância da ação da Companhia de Jesus no ensino, na produção cultural e missionação em Portugal e nos territórios do império com a coleção de arte sacra da Casa de Mateus de oficinas indo e cíngalo-portuguesas (exemplares de imagens da Imaculada Conceição e do Cristo em marfim), salientando a importância do Padre António Vieira em todos estes domínios, como exemplo mais concreto, pelo perfil multifacetado que ele demonstrou. A expulsão dos Jesuítas no Brasil, 1759, é acompanhada de perto pelo governador de São Paulo, D. Luís António, 4º Morgado de Mateus, que tomou a iniciativa de destruir a Igreja dos Jesuítas na capitania e mandou edificar o Palácio do Governo, como expressão da nova ordem política ditada pelo 1º Ministro do Reino, o Marquês de Pombal.

 

Caracterizar a arte barroca nas suas principais expressões enquanto veículo de uma mensagem política ligada ao poder (com o ouro do Brasil) e religiosa como um movimento que surgiu com a missão de resgatar as ideias teocêntricas e conter a Reforma Protestante

Na política com principal expressão na arquitetura civil do Norte de Portugal com a construção de casa brasonadas de uma fidalguia de província com uma necessidade evidente de afirmação na corte em Lisboa.

Na Religião: igrejas transformadas em espaços cênicos (a Igreja de São francisco no Porto) com ênfase para intensidade dramática por forma a evidenciar a expressão dos sentimentos (valorização estética – o modo como transmitir era mais importante do que a mensagem em si).

Rompe com os valores de racionalidade e simplicidade, marcas renascentistas, e caracteriza-se pelos excessos decorativos, de total extravagância, como é exemplo a arquitetura da Casa de Mateus.

 

Um Século de Mudanças (século XVIII) | Iluminismo

Explicar as características do Iluminismo em Portugal a partir do Marquês de Pombal e da Casa de Mateus no Século XVIII. Compreender as reformas urbanas de Lisboa após o Terramoto de 1755 e a reestruturação de São Paulo no Brasil através do governo de D. Luís António de Sousa Botelho Mourão, 4º Morgado de Mateus (1722 – 1798) enquanto seguidor do despotismo esclarecido ou iluminado que teve a sua expressão em Portugal no reinado de D. José, por intermédio do Marquês de Pombal.

Conhecer a Edição Monumental de Os Lusíadas através dos exemplares únicos das chapas em cobre, águas fortes, pertença do morgadio da família cujo Editor é o 5º Morgado de Mateus, D. José Maria de Sousa Botelho Mourão e Vasconcelos e depreender a importância desta obra e do estudo minucioso que o Morgado realizara a fim de preservar uma identidade nacional que se via ameaçada pela conjuntura política vigente no contexto das guerras peninsulares.

 

Percurso Ensino Secundário | História A; B; C 

(2h00/2h30)

Pátio de Honra: receção de boas – vindas e caminhada até o Museu e/ou à Capela;

Museu: explicação do cenário político, económico, social e militar através da Casa de Mateus, em especial, através da sua arquitetura que deslumbra pelos elementos decorativos por forma a criar uma espaço cénico, de representação, com a planta em U, a decoração da fachada, o efeito da dupla escadaria, bem ao gosto italianizante (Nicolau Nasoni), denotando poder e notoriedade de uma estirpe singular e notabilíssima.

A arquitetura civil é a expressão de um poder absolutista e capitalista, onde no exterior, se nota a integração dos palácios/casas senhoriais na paisagem e no espaço envolvente através da sua ligação materializada pelos jardins que os antecediam ou lhes davam continuidade e, quanto ao interior, a existência de um “piano nobile”, “bel étage”, Andar Nobre, com um vestíbulo a servir de ligação a duas alas paralelas, simétricas, a contribuir para a planta em U e um efeito cenográfico, complemento teatral com o Pátio de Honra, delimitado pela decoração da fachada icónica da Casa.

 

Intervalo para o lanche nos Jardins (0h30)

Entre as várias propostas de Oficinas apresentadas em seguida, escolher uma ou mais mediante as solicitações das escolas:

 

Oficina de Restauro (0h30)

Higienização de peças e livros hipotéticos com um pincel e mata-borrão ou lixar e pintar moldura de quadro.

 

 

 

 

Oficina de Literatura Portuguesa (0h30)

Quiz sobre Os Lusíadas: distribuição de um pequeno questionário com 5 perguntas de resposta múltipla com o objetivo de conhecer melhor a obra e realçar a importância desta no contexto político nacional do período pós Invasões Peninsulares com a questão da identidade nacional em perigo.

Perguntas:

 

Oficina Storytelling Fotográfico:

Visa ilustrar a história de três mulheres, através do registo fotográfico e documental, que protagonizaram no início do século XX a administração da Casa de Mateus, nomeadamente, Dona Teresa Francisca (2ª Condessa de Melo), Dona Maria dos Prazeres (Irmã Maria de Jesus), e Dona Maria Teresa (2ª Condessa de Mangualde). O estudo sobre as três mulheres objetiva aprofundar, através do Storytelling, nas suas ações, enquanto administradoras da Casa, e também como protagonistas da história política, económica, religiosa, militar e cultural a nível regional, nacional e internacional durante a 1ª metade do século XX. Essas ações estão registadas no Arquivo documental, fotográfico e bibliográfico e merecem atenção uma vez que a mulher deste período parecia viver à sombra dos homens cujo papel estava relegado para segundo plano, sobretudo à vida doméstica.

 

 

Através do registo documental da obra, As Memorias da Condessa de Mangualde, publicadas em 2002 por iniciativa de seu neto D. Fernando de Sousa Botelho de Albuquerque, e do registro fotográfico, estamos em condições de perceber de que modo a valentia monárquica do 2º conde de Mangualde afetou toda a família, dando-nos uma contextualização nacional do período 1910/1920.

 

Oficina de Fotografia: o acervo fotográfico do arquivo da Fundação da Casa de Mateus é significativo e representativo de um valor histórico notável estando, pois, ao serviço da História nas suas várias valências do nosso país, desde a 1ª metade do século XIX, com exemplares pioneiros da história da fotografia, os chamados daguerreótipos, tirados aos segundos Condes de Vila Real (entre 1840-1858).