A Fundação da Casa de Mateus, propõe, ao longo do ano de 2020, apresentar e explicar cada mês documentos representativos das 12 Secções constantes do seu Arquivo.

Secção 06 – Sousa Botelho Mourão (1747-1806)

A Fundação da Casa de Mateus elegeu Junho para ser o Mês das Pessoas e neste Mês, precisamente no dia 9 de Junho, comemora-se o Dia Internacional dos Arquivos. Dueto perfeito, pois nos documentos estão registados as memórias de feitos históricos ou apenas do cotidiano de famílias, de lembranças felizes e algumas não tão felizes.

Graças as tintas que traçam os papéis, o presente tem o passado preservado, tem a memória de tantas Pessoas que se perpetua no tempo, algumas que exerceram papéis importantes a nível nacional e/ou internacional, outras que, embora não sejam lembradas por algum título, exerceram outros papéis também importantes, foram pais, mães, irmãos, irmãs, filhos, filhas, tios, tias, avôs, avós. Em suma, foram humanas, foram Pessoas.

O sexto Mês representa a Sexta Secção (1747-1806) do Sistema de Informação Casa de Mateus (SICM), cujos protagonistas são D. Luís António de Sousa Botelho Mourão e sua mulher D. Leonor Ana Luísa José de Portugal. Personagens com indiscutível preponderância para a Casa de Mateus e para a memória que perdura até os dias atuais.

Foi D. Luís António que teve a iniciativa de mandar criar o índice das gavetas que acondicionaram os documentos da família e que D. Leonor preservou com exímio cuidado.

Foram quartos Morgados da Casa de Mateus e administradores da Capela de Nossa Senhora dos Prazeres, cabeça do Morgadio, e da Capela de Nossa Senhora da Esperança, na Cumieira, assim como de vários prazos enfitêuticos, dos bens da Casa de Sabrosa e dos de Vila Pouca, Lago Bom e Bornes. Foram ainda administradores dos Morgadios de Moroleiros e dos Queirós em Amarante e de outros bens, vínculos e privilégios que herdaram do avô D. Luís António de Sousa e de sua mulher D. Bárbara Mascarenhas.

A todos esses bens acrescentaram por demandas outros, como foi o caso do Morgadio de Arroios, de seus primos Álvares Coelho de Faria e o de Fontelas, da família Mendes de Vasconcelos, cuja falta de sucessão justificou reivindicação levada a cabo por D. Luís António de Sousa Botelho Mourão e seu filho, sendo o apelido Vasconcelos desde então usado por seus descendentes.

Luís António de Sousa Botelho Mourão, além dos dois grandes vínculos feitos em 1752 e 1754, fez vínculo dos bens e propriedades reduzindo a um só todos os bens da Casa. Não só segurou seus bens e propriedades, com as renovações e vinculações referidas, como iniciou a organização dos seus documentos, encontrando-se muitas capilhas manuscritas pelo próprio. Os documentos reflectem o rigor com que D. Luís António de Sousa Botelho Mourão e sua mulher conduziam os negócios da Casa, tendo sido a sua organização continuada por seu filho D. José Maria do Carmo de Sousa Botelho Mourão e Vasconcelos. Este escreveu mais tarde que sua mãe, na ausência do pai que estava no Brasil, (…) teve aqui hum homem para o archivo que principiou a ordenar (…).

Luís António esteve no Brasil como Governador da Capitania de São Paulo entre os anos de 1755 e 1765 e em seu regresso para Mateus trouxe muitos documentos produzidos nesta década. Enquanto isso, D. Leonor Portugal geria a Casa e produzia tantos outros documentos.

Na documentação produzida por ambos estão guardadas as memórias de tantas pessoas, sejam de Portugal, sejam do Brasil. Estão guardados momentos e sentimentos expostos, muitas vezes, na correspondência trocada entre o casal. São memórias que, como disse um dia D. Leonor Portugal, nem o tempo e nem a distância podem apagar.

Dentre a correspondência trocada entre o casal há um nome referido, não conhecido como dos quartos Morgados, sem detalhes de feitos realizados ou de alguma outra informação mais aprofundada, mas esta Pessoa escreveu uma única carta ao D. Luís António, no ano de 1755 e deu a essa Pessoa uma Subsecção no Sistema de Informação Casa de Mateus. Este nome será apresentado como o Documento de Junho no Mês das Pessoas. Este nome é Maria.

Maria foi meia irmã de D. Luís António e, como já mencionado, está referida nas cartas que trocava com a sua mulher como sendo residente em Mateus doente, idosa e inválida.

 

Desta irmã, D. Luís António recebeu uma única carta em que ela relata o terramoto que presenciou em Lisboa e que é o Documento apresentado, neste mês, pelo Arquivo da Fundação da Casa de Mateus.

Maria, como assina, inicia a sua carta frisando o quanto venera o irmão. Em seguida inicia a narrativa sobre o terramoto que escapou com o maior trabalho por estar muito doente e sentiu dificuldade em fugir da casa em que estava e que caiu toda… narrou também que ouviu … muitos gemidos e viu …pessoas mortas nas ruas e que a cidade estava aterrorizada.

[Carta recebida] por D. Luís António de Sousa Botelho Mourão que lhe enviou sua irmã Maria, na qual descreve o terramoto de Lisboa a que assistiu.

2 fls. 17,3 X 22,3 cm; manuscrito sobre papel. SICM/SSC 06.1/SR/CORRESPONDÊNCIA

 

 

 

 

Documentos do Mês

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Documento do Mês de Fevereiro

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Documento do Mês de Abril

Documento do Mês de Maio