A Fundação da Casa de Mateus, propõe, ao longo do ano de 2018, apresentar e explicar cada mês documentos representativos do seu Arquivo.

A Fundação da Casa de Mateus apresenta, neste mês de Setembro, através do seu site, documentos representativos do seu Arquivo. Neste mês apresentamos um documento da Secção 09 (1856-1878) do Sistema de Informação da Casa de Mateus (SICM).

Trata-se de uma Carta e alvará de nomeação da Junta Governativa de Trás-os-Montes, de que foi Presidente D. Fernando de Sousa Botelho Mourão e Vasconcelos, 2º Conde de Vila Real (n. 1815/10/05 – f. 1858/02/04).

 

1846, Maio, 11 – Vila Real

[Carta expedida] pelo Presidente da Junta Governativa de Trás-os-Montes, D. Fernando de Sousa Botelho [Mourão e Vasconcelos, 2º Conde de Vila Real] para Quintino Teixeira de Carvalho na qual lhe comunica a sua nomeação para o cargo de Secretário-Geral do Governo Civil de Vila Real, remetendo incluso o respectivo alvará de nomeação; contém [apontamento].

6fls.; 21 x 26,8 cm; 21,5 x 30,5cm; manuscrito sobre papel; contém sobrescrito com destinatário e selo. SICM /SSC 09.02 /SUBSI – JTM / CORRESPONDÊNCIA.

 

 

 

 

 

 

 

 

Fernando de Sousa Botelho Mourão e Vasconcelos, filho primogénito dos 1ºs Condes de Vila Real, nasceu em Madrid no dia 5 de Outubro de 1815 e morreu no dia 4 de Fevereiro de 1858.

O título de Conde de Vila Real foi-lhe renovado com a promulgação do decreto autorizado por Sua Majestade a Rainha D. Maria II no dia 19 de Agosto de 1846.

Por vontade de seu pai, e por este se encontrar ausente por motivos profissionais, D. Fernando assumiu muito cedo a administração da Casa de Mateus. Continuou a organização da documentação relativa à administração, a que chamavam o Cartório, como é referido num documento que se conserva no Arquivo da Casa de Mateus em que constam as instruções deixadas pelo 1º Conde de Vila Real a seu filho. Após a morte de seu pai herdou a Casa e Morgadio de Mateus e Cumieira e demais bens que lhe pertenciam.

Casou com D. Maria Amália Burchardt no dia 15 de Outubro de 1838 de quem não teve filhos. D. Maria Amália morreu no dia 13 de Outubro de 1839.

Casou pela segunda vez com D. Júlia Adelaide Braamcamp de Almeida Castelo Branco no dia 6 de Julho de 1842. Desta união nasceram sete filhos: José Luís de Sousa Botelho e Vasconcelos, Maria Inácia de Sousa Botelho e Vasconcelos, Isabel de Sousa Botelho e Vasconcelos, Maria Amália de Sousa Botelho e Vasconcelos, Anselmo de Sousa Botelho e Vasconcelos, Maria Teresa de Sousa Botelho e Vasconcelos e Alexandre de Sousa Botelho e Vasconcelos.

Júlia Adelaide Braamcamp, na ausência de seu marido e depois da morte deste, assumiu a responsabilidade da administração da Casa de Mateus juntamente com o administrador Frias de Vasconcelos.

No Arquivo da Casa de Mateus conserva-se um pequeno conjunto de fotografias dos 1ºs Condes de Vila Real e seus familiares que para além de ilustrar a história desta família, também nos permite conhecer melhor a época em que viviam. Encontrámos fotografias das irmãs D. Isabel Maria José de Sousa Botelho Mourão e Vasconcelos e D. Teresa de Sousa Botelho Mourão e Vasconcelos, do cunhado Anselmo José Braamcamp de Almeida Castelo Branco, dos filhos Maria Inácia de Sousa Botelho e Vasconcelos e D. José Luís de Sousa Botelho e Vasconcelos e de amigos dos 2ºs Condes de Vila Real, nomeadamente António Xavier de Brederode, D. José Luís de Sousa e Eduardo Soveral.

O 2º Conde de Vila Real começou a interessar-se por política muito jovem. A sua actividade nesta área consistiu na participação em várias campanhas, defendendo os interesses sociais, políticos e económicos da região de Trás-os-Montes, como é referido em documentos existentes no Arquivo da Casa de Mateus. Dedicou especial atenção aos problemas dos lavradores do Douro e escreveu, numa carta que se conserva no Arquivo, (…) Todos os interesses agrícolas da província estão ligados aos vinhos do Douro (…). [Carta expedida] por D. Fernando de Sousa Botelho Mourão e Vasconcelos. 1846/09/21. Ver: SICM/ 08.01 / SR / CORRESPONDÊNCIA (Grupo 1493.21 – doc ainda não tratada).

Em 1846 foi Presidente da Junta Governativa de Vila Real e Comandante Geral das Forças Transmontanas.

Os seus interesses políticos não se limitaram à escala regional e acabou por se envolver nas revoltas setembristas e cartistas. As revoltas da Maria da Fonte em Abril e Maio de 1846 e da Patuleia em 1847 marcaram a sua vida política. Foi numa destas revoltas que D. Fernando perdeu uma perna, passando a ser conhecido pelo Perna de Prata devido à prótese que tinha na perna. Sabe-se que se correspondeu com um fabricante de pernas de pau chamado Williams Gray, mas não se sabe se foi este o autor da prótese, que era de fabrico alemão e permitia que D. Fernando montasse a cavalo.

O seu apoio ao golpe de Estado liderado por Costa Cabral resultou na sua deportação para Angola para cumprir pena de degredo.

Partiu de Lisboa no dia 2 de Fevereiro de 1847 e chegou a Luanda no dia 25 de Março. É possível que o 2º Conde de Vila Real fosse um dos quarenta prisioneiros patuleias que foram embarcados no brigue Audaz.

A guerra civil agitou de tal forma o país que só com intervenção estrangeira e a assinatura da Convenção de Gramido, em Junho de 1847, se pôs fim ao clima de revolta e os presos políticos foram amnistiados, entre eles o 2º Conde de Vila Real. Em Agosto os 2ºs Condes de Vila Real partiram com a família para Itália permanecendo exilados até meados do ano de 1849.

Por falta de informação documentada não podemos afirmar o que ocupava D. Fernando durante a sua estadia na Itália. No entanto, sabemos que participou no círculo político de Florença, o que nos leva a deduzir que também aí se tenha dedicado à política.

Regressado a Portugal com a sua família, vai para Lisboa para o Palácio da Boa Morte e depois para Mateus. A partir desta altura, é possível perceber, através da correspondência trocada com o feitor Manuel Rodrigues Sarrazina, que os Condes de Vila Real se dedicaram à administração de seus bens.

Em 1852 foi membro da comissão responsável pelas medidas e direitos de exportação dos vinhos do Alto Douro.

Fernando morreu no dia 4 de Fevereiro de 1858 e as suas exéquias foram celebradas no dia 6 de Março do mesmo ano.

Fernando de Sousa Botelho Mourão e Vasconcelos teve como irmãos: D. Isabel Maria José de Sousa Botelho Mourão e Vasconcelos, D. Maria Teresa de Sousa Botelho Mourão e Vasconcelos, D. Mariana de Sousa Botelho e Vasconcelos e D. Pedro de Sousa Botelho Mourão e Vasconcelos.

 

Documento do Mês de Janeiro

Documento do Mês de Fevereiro

Documento do Mês de Março

Documento do Mês de Abril

Documento do Mês de Maio

Documento do Mês de Junho

Documento do Mês de Julho

Documento do Mês de Agosto

 

 

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