A Fundação da Casa de Mateus, propõe, ao longo do ano de 2018, apresentar e explicar cada mês documentos representativos do seu Arquivo.

A Fundação da Casa de Mateus apresenta, no mês de Novembro, através do seu site, documentos do seu Arquivo. Neste mês apresentamos um documento da Secção 11 (1927-1947) do Sistema de Informação da Casa de Mateus (SICM).

Apresentamos uma Carta de mercê do Rei D. Carlos a D. Fernando de Almeida Cardoso de Albuquerque do título de Conde de Mangualde, 1906/10/29 – 1906/10/31.

 

 

1906, Outubro, 29 – 31 – [Lisboa]

Carta de mercê de D. Carlos ao Tenente-coronel de Artilharia Fernando de almeida Cardoso de Albuquerque, do título de Conde de Mangualde em verificação de segunda vida, e respectivo registo. 2fls., 25x38cm; manuscrito sobre pergaminho; assinado; contém fita azul e branca com marcas de selo de chapa de papel. SICM /SSC 11.04 /CARTA MERCÊ REGISTO.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Filho do 1º Conde de Mangualde, Francisco de Almeida Cardoso de Albuquerque, formado em Direito pela Universidade de Coimbra, e de sua mulher D. Rita da Assunção Ferreira Roquete.

D Fernando de Almeida Cardoso de Albuquerque fez o curso preparatório para oficiais de artilharia em 1893, tendo concluído no ano seguinte o curso de artilharia na Escola do Exército. No ano de 1895 recebeu nomeação para o posto de Segundo-tenente do Regimento de Artilharia Nº21. Em 1897 foi nomeado Primeiro-tenente do Regimento de Artilharia Nº 1.

O 2º Conde de Mangualde, engenheiro fabril do exército, esteve no centro dos acontecimentos relacionados com as incursões monárquicas. Quando em Outubro de 1910 foi proclamada a República, o 2º Conde de Mangualde, embora fosse tenente de artilharia, não estava no serviço activo, tendo sido colocado na Direcção Geral de EstatísticA. Viveu de perto esse dia tendo registado a memória dos acontecimentos.

Depois de deixar a Direcção Geral de Estatística, o 2º Conde de Mangualde foi trabalhar na companhia de seguros A Nacional, no entanto as suspeitas de que era alvo pelas suas relações com Paiva Couceiro valeram-lhe uma ordem de marcha para o Funchal, datada de 25 de Fevereiro de 1911. De volta ao continente, alegadamente para vir tratar-se de uma doença a Lisboa, juntou-se a Paiva Couceiro na Galiza e tomou parte nas 1as e 2as incursões monárquicas por ele comandadas em Trás-os-Montes, ocorridas em Outubro de 1911 e Julho de 1912. Sabe-se que esteve escondido várias vezes. Acusado de conspirar por um cônsul português, foi preso em Vigo em Agosto de 1912. (…) Apesar de não terem aparecido provas algumas de que o Fernando conspirasse – pois todos os papéis eram referentes a factos anteriores à Segunda Incursão – continuou preso e foi até pronunciado (…).

Em Outubro de 1913 foi trazido para Portugal por um tal Homero de Lencastre que o traiu, tendo sido preso no Porto no dia 17 de Outubro. Tal como relata nas suas memórias, a 2ª Condessa de Mangualde só mais tarde soube da prisão do marido. Foi libertado em Fevereiro de 1914 mas em Outubro foi novamente preso.

Em 1916, numa carta dirigida a seu irmão, a 2ª Condessa de Mangualde diz que o marido está à espera de colocação numa companhia, e que teve também um convite para entrar num negócio ligado à exploração de minas de volfrâmio. De facto o 2º Conde de Mangualde foi trabalhar para uma companhia chamada Diás Mining Corporation. No dia 4 de Outubro de 1917 foi tomar conta da mina de Alvarenga, a sua última experiência de trabalho nas minas.

Em Fevereiro de 1919 o 2º Conde de Mangualde foi novamente preso, na sequência do movimento que ficou conhecido como a Monarquia do Norte. O seu julgamento ocorreu quase um ano depois no dia 27 de Janeiro de 1920, tendo sido julgado no mesmo processo dos membros da Junta Governativa, no qual também foi julgado Paiva Couceiro. Saiu da prisão no dia 6 de Agosto de 1920.

Foi herdeiro de seu pai por testamento de Junho de 1920.

O 1º Conde de Mangualde desempenhou diversos cargos públicos, entre os quais os de Administrador do Concelho de Oliveira de Frades, Governador Civil nos distritos de Castelo Branco, Bragança e Guarda e Director Geral das Contribuições Directas do Ministério da Fazenda.

Além de D. Fernando, 2º Conde de Mangualde, os 1os Condes de Mangualde tiveram duas filhas: Maria Joana de Albuquerque e Maria Cândida de Almeida Cardoso de Albuquerque. A mais velha, Maria Joana de Albuquerque, nascida no dia 9 de Setembro de 1875, casou com o 1º Conde de Estarreja, João Carlos da Costa de Sousa de Macedo, nascido no dia 19 de Outubro de 1864 e falecido no dia 10 de Junho. Maria Cândida de Almeida Cardoso de Albuquerque, nascida no dia 9 de Setembro de 1884, casou com o 3º Conde de Seisal, José Maurício Correia Henriques, nascido no dia 18 de Novembro de 1878 e falecido no dia 31 de Agosto de 1944 .

 

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