A Edição de 2020

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Prémio Elisa Sousa Pedroso na Casa de Mateus

No dia 26 de setembro, a Casa de Mateus vai receber o Concerto de Laureados do Prémio Elisa de Sousa Pedroso, na sua XII Edição, um concurso para jovens instrumentistas que visa descobrir, lançar e promover jovens promessas da música, organizado pelo Conservatório Regional de Música de Vila Real, à qual a Fundação da Casa de Mateus se associa.

Desde o ano passado, que o Conservatório Regional de Música de Vila Real decidiu apostar na internacionalização, com abertura do Prémio à Galiza, sendo este ano acontece a II Edição do Prémio Luso-Galaico Elisa de Sousa Pedroso.

A edição deste ano foi adiada, devido à pandemia COVID-19, para 24 a 26 de Setembro e destina-se a jovens instrumentistas, que no dia 31 de Dezembro de 2019, tenham completado 23 anos.

O Prémio Nacional Elisa de Sousa Pedroso começou em 2009 assumindo-se exclusivamente como concurso nacional para Piano. Desde 2011 que o concurso passou a incluir as modalidades de Piano e Violino para concorrentes até aos 20 anos e sem abertura para o ensino superior.  A partir da sétima edição, o Prémio Nacional Elisa de Sousa Pedroso passou a incluir uma nova categoria – alunos do ensino superior até aos 21 anos de idade.

O júri do Prémio Elisa de Sousa Pedroso 2020 será presidido pela Pianista e Professora Sofia Lourenço, pela Pianista e Professora Noemí Salomón e pelo Violinista e Professor Pedro Carneiro.

 

 

Resenha biográfica de Elisa de Sousa Pedroso

Elisa Baptista de Sousa Pedroso nasce a 10 de Julho de 1876, em Vila Real. Com 7 anos vai residir para Lisboa, devido a compromissos políticos do seu pai. Teve formação nas áreas das línguas, humanidades, música e piano. Apresentou-se publicamente aos 14 anos e realizou numerosos recitais de piano em Portugal, Espanha e outros países europeus. Estudou piano com Francisco Baía, Alexandre Rey Colaço e José Vianna da Motta e em Paris com Ignaz Friedmann, Edourd Risler, Raul Pugno e Alfredo Casella. Como pianista abordou todos os géneros e escolas com completo domínio e perfeito estilo de cada época e de cada compositor. Prova disso são as inúmeras críticas favoráveis, quer por parte do público, quer por parte dos críticos da época, tanto em Portugal como no Estrangeiro.

Para além de instrumentista, Elisa Baptista de Sousa Pedroso dedicou grande parte da sua vida à difusão da música. Organizou concertos pelos melhores compositores e executantes estrangeiros da época e incitou dezenas de músicos portugueses a prosseguirem as suas carreiras. Na promoção deste intercâmbio cultural, Elisa de Sousa Pedroso, intensificou as relações culturais, na área da música, entre Portugal e Espanha, tornando se numa das maiores mecenas da época.

Em 1934 fundou, em Lisboa, o Círculo de Cultura Musical, tornando-se presidente vitalícia. Cria, ainda, delegações por todo o país, nomeadamente em Braga, Porto, Guimarães, Setúbal, Viseu, Aveiro, Viana do Castelo, Madeira, Açores, e nas colónias portuguesas, Angola, Moçambique, Goa e Macau. Em 1947 aderiu à ideia de fundar uma Juventude Musical Portuguesa.

Elisa Baptista de Sousa Pedroso foi uma grande animadora e divulgadora da Música Portuguesa. Distinguiu nos seus salões, em notáveis serões, os principais vultos da arte e da literatura nacional, bem como as maiores celebridades estrangeiras que visitavam Portugal. Ao longo da sua vida, Elisa de Sousa Pedroso foi distinguida com os seguintes títulos e graus: Académica da Academia de Belas-Artes de S. Fernando de Espanha, Colar das Ordens de Santiago de Espada, Águia Alemã, Afonso o Sábio, Medalha de Ouro de 1948 de Itália (Cavaleiro de Colombo), Medalha de Prata da Cidade de Lisboa, Colar do Instituto de Coimbra, Membro Honorário da «International Music Association of Great-Britain», Medalha da Cruz Vermelha Portuguesa, Grã Cruz da Instrução Pública, Medalha da Legião de Honra de França, sócia fundadora e Presidente de Honra da Sociedade de Concertos de Lisboa, do Orfeon Donostiarra e das Juventudes Musicais Portuguesas. Em Vila Real deu pelo menos dois concertos. O primeiro, a 19 de Novembro de 1899, no Teatro Circo, em benefício do Asilo-Escola e do Asilo da Infância Desvalida. O segundo, em 24 de Julho de 1938, por ocasião da entrega dos prémios das Corridas do Circuito Internacional de Vila Real.

O Círculo de Cultura Musical, fundado em 1934, tinha como objectivo «intensificar a cultura musical portuguesa por meio do maior número de serões musicais, conferências ou quaisquer outras festas d’Arte, nas quais tomarão parte, designadamente, os maiores valores artísticos estrangeiros da actualidade, menos conhecidos em Portugal, e, sempre que as circunstâncias o indiquem, os artistas nacionais que forem considerados de reconhecido mérito». Progressivamente, a actividade do CCM expandiu-se por todo o território nacional e pelas antigas colónias portuguesas em África e no Oriente, através da criação de delegações que, apesar de jurídica, administrativa e financeiramente autónomas, mantinham um elo de ligação à sede. A primeira delegação a ser fundada foi a da cidade do Porto, em 1937, sob a presidência de Maria Adelaide Diogo de Freitas Gonçalves, cujo marido, Joaquim de Freitas Gonçalves, era, na altura, diretor do Conservatório de Música do Porto, cargo que ela própria viria a ocupar entre 1941 e 1955. Esta delegação do CCM é a única que se encontra actualmente em actividade, uma vez que o CCM em Lisboa se extinguiu em 1975 e nessa data já todas as suas delegações haviam cessado funções.

A 23 de Dezembro de 1937 foi inaugurada no Porto a primeira delegação do CCM com um concerto de Benno Moiseiwitsch no Teatro Rivoli. Foi inicialmente presidido por Maria Adelaide Diogo de Freitas Gonçalves (de 1937 a 1954), seguida por Maria Ofélia Diogo de Campos Carmo Costa (de 1956 a 1978) e Maria Ofélia Diogo Costa Rosas da Silva (desde 1979) que é, actualmente, presidente do Círculo de Cultura Musical do Porto.