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No Dia Mundial do Livro, a Fundação da Casa de Mateus junta-se à BlablaLab para uma homenagem a Alvaro García de Zúñiga com a leitura de excertos do texto ‘logos’, corpo central da peça ‘Teatro Impossível’. Vinte anos depois, Fernando Mora RamosEduardo RaonJosé Luís Ferreira e Alínea B. Issilva retomam os meandros desta peça, estreada nos Encontros ACARTE em 1998 e que agora faz ouvir as suas palavras pela primeira vez em Vila Real.

Esta iniciativa inscreve-se no programa Alvaro LX, desenvolvido ao longo de 2018 pela blablaLab, a propósito do 60º aniversário de Alvaro García de Zúñiga e antecipa a estreia pelo ARRE – Teatro da Rainha de uma nova criação, com direcção de Fernando Mora Ramos.

A sessão decorre na Casa de Mateus, no dia 23 de Abril, pelas 19h00.

Para descarregar o programa da sessão, clique aqui.

 

 

Leituras de Álvaro García de Zúñiga

Fernando Mora Ramos | Eduardo Raon | José Luís Ferreira | Alínea B. Issilva

um programa blablaLab, em colaboração com FCM e Fundação das Casas de Fronteira e Alorna

23 Abril | Casa de Mateus | 19h00

 

 

Alvaro García de Zúñiga

Nasceu em 1958 em Montevideo, morreu em Lisboa na madrugada do dia 23 de Abril 2014. Formado fundamentalmente em música (violino e composição com Norbert Brainin, Amadeus Quartet, Sergio Prieto, Roque de Pedro, etc.), o teatro musical leva-o para o teatro tout court e daí passa para outras literaturas. Autor de peças de teatro, argumentos para cinema, uma adaptação para ópera, várias obras em prosa e poesia, a escrita leva-o à encenação de teatro e à realização cinematográfica e radiofónica. Para o poeta Alvaro García de Zúñiga, a língua (e as línguas) são a matéria prima do seu trabalho. Uma língua musical, visual, uma língua inventada, esvaziada, destruída e reconstruída, geradora de sons/sentidos múltiplos. Uma língua sem nacionalidade específica que se diverte a cruzar-se com outras línguas e a inverter as convenções linguísticas. Uma língua elástica em que as normas não são impositivas e as diferenças são bem vindas. Uma língua estrangeira, lógica e sonora. Muitos dos seus textos foram encenados pelo autor ou objeto de leituras públicas. Realizou vários filmes de curta e média metragem, peças de teatro radiofónico e arte acústica.

 

Lamentavelmente, não se recorda do momento em que nasceu porque, nessa altura, era ainda muito novo. É pena, porque foi – e é – um dos acontecimentos mais importantes da sua vida. Por outro lado, se o facto de ter nascido antes do primeiro dia de vida não tem nada de original, e é motivo suficiente para justificar uma grande falta de experiência, acontece que, nessa altura se é muito jovem para ser realmente muito jovem, para se ter consciência da importância que isso pode ter no seu próprio futuro. Parece mal traduzido, mas não é. O que é, é mal pensado, que é pior. Ou, pelo menos, é confuso, como ele mesmo confessará logo a seguir.

Alvaro García de Zúñiga, Logos, Teatro Impossível

 

Alvaro García de Zúñiga é um D. Quixote das línguas, também das do cinema e das do teatro. A primeira peça que li chamava-se Théâtre Impossible. Não tinha nem personagens, nem ação. Quando estranhei alguns erros de francês, não só não se importava nada como a cada pergunta confusa da minha parte ele acrescentava imediatamente outra. “Se tanta gente no mundo fala línguas que não domina não há razão nenhuma para que isso não seja possível no teatro.” A Alvarização seguia o seu caminho.

Leopold von Verschuer

 

Fernando Mora Ramos

Actor, encenador, escritor, professor e teórico português. Diretor Artístico do Teatro da Rainha, inicia-se no TEUM (Teatro dos Estudantes Universitários de Moçambique) em 1972, frequentou o Conservatório Nacional (73/74). Tem um Master 1 em Estudos Teatrais (Paris III – Sorbonne Nouvelle) e estagiou, como bolseiro da Fundação Gulbenkian, no Piccolo Teatro de Milão (1979/80). Fundou o Teatro da Rainha com o cenógrafo José Carlos Faria em 1985. Foi Diretor do Centro Regional das Artes do Espetáculo (Évora/Cendrev) e membro da 11ª Comissão para a Reforma do Ensino Artístico. Com Ricardo Pais, criou o DRAMAT – Centro de Dramaturgias Contemporâneas, no TNSJ (2000). Foi Diretor de Programação de Coimbra 2003 – Capital Nacional da Cultura. Tem escrito sobre teatro e política cultural para o jornal Público e para a revista Finisterra. Como ator e encenador realizou e participou em mais de 120 criações sendo de realçar os espetáculos AQ, a hora do lobo, de Christoph Hein, Filoctetes, de Heiner Muller, O Falatório do Ruzante que veio da Guerra de Angelo Beolco, Ella, de Herbert Achternbusch, Combate de negro e de cães, de B-M. Koltès, e recentemente O caso branca de neve, de Howard Barker, A Europeia de David Lescot, Dramoletes 1 / O coveiro de Thomas Bernhard, As mortes do dia de hoje, de Howard Barker, Histórias do bosque de Viena, de Odon Von Horvath e O estranho corpo da obra, de Martin Crimp.

 

Eduardo Raon

Harpista, Compositor, Performer

Desde 1998, tem desenvolvido a sua atividade, sobretudo musical, em parceria com outras formas artísticas. No campo musical e com a harpa tem trabalhado na área da música Contemporânea, Improvisada e Neu Musik, Jazz e Pop. No diálogo com outras formas artísticas destacar-se-á a relação com o cinema sendo harpista residente da Cinemateca Eslovena (para a qual compôs bandas sonoras para Mihael de Karl Dreyer, A Queda da Dinastia Romanov de Esfir Shub, L’Impossible de Sylvain George, Metropolis de Fritz Lang entre outras), compôs as bandas sonoras para curtas metragens de animação e longas metragens documentais e de ficção (Sonolenta de Marta Monteiro, Chatear-me-ia Morrer Tão Jooveeeem… de Filipe Abranches, Quatro Caminhos de Nuno Amorim, M de Joana Bartolomeu, Aparição (por estrear) de Fernando Vendrell, Do Céu e da Terra de Isabel Aboim entre outros) e tem atuado por todo o país com o projeto Filmes Pedidos musicando ao vivo junto com António Pedro e Ricardo Ferreira, filmes mudos dos primórdios do cinema. Na dança, performance e teatro tem colaborado com Teja Reba, Loup Abramovici, Clara Andermatt, Álvaro García de Zúñiga e Teresa Albuquerque, Barbara Kapelj, Teresa Sobral. Radicado em Liubliana, Eslovénia, tem atuado com maior frequência lá e em Portugal, mas também pela Alemanha, Áustria, França, Sérvia, Espanha, Itália, Holanda, Rússia, Bélgica e Macedónia.

Tem gravado e atuado com I-Wolf, POWERTRIO, Quarteto Goran Krmac, Deolinda, Sofia Vitória, João Lobo, Wolfgang Schloegl, Turba Multa, Maria João e Mário Laginha, Bratko Bibic, Bypass, Ela Não É Francesa Ele Não É Espanhol, O Espectáculo d’Ontem e a solo também. Como intérprete estreou obras solo e de música de câmara de Eurico Carrapatoso, Clotilde Rosa, Ivan Moody, João Lucas, Joana Sá, Daniel Schvetz, Eli Camargo, Sebastian Duh e Fernando Lobo.

Editou em 2013 “On The Drive For Impulsive Actions”, o seu álbum de estreia, encontrando-se a trabalhar no seu próximo registo a solo.

 

José Luís Ferreira

Assumiu, entre 2011 e 2014, a direção artística do São Luiz Teatro Municipal, em Lisboa, na sequência de concurso público. Em 2014, fundou Antunes Fidalgo Unipessoal, micro-empresa que ambiciona desenvolver soluções para aproximar o cidadão comum do universo das artes. Desenvolve atividades de programação, direção de produção, gestão de projetos em rede. Produziu, em 2016/17, Força Humana, uma criação para todos os públicos a partir de Os Lusíadas, uma co-produção entre o CCVF, o TNDM II e o CAOvar, com digressão por mais seis cidades. Em 2016 comissariou o projeto RUPIPIPAPU (Reunião Um Pouco Internacional de Pessoas Interessadas nas Práticas Artísticas em Paisagens Urbanas), produzido pela Circolando e integrado no Fórum do Futuro. Coordenou o Departamento de Relações Internacionais do TNSJ, no Porto, onde desempenhou também funções de Assessor de Direção. Participou na conceção e criação do festival PoNTI e assumiu a sua Direção Executiva entre 1997 e 2004. Dirigiu, no âmbito da Capital Nacional da Cultura – Coimbra 2003, o festival SITE-Semana Internacional de Teatro. Representou o TNSJ na União dos Teatros da Europa, integrando o seu Conselho de Administração. Concebeu e programou o projeto Odisseia, desenvolvido pelo TNSJ em 2011, em associação com o Theatro Circo, o CCVF e o Teatro de Vila Real.

 

Alínea B. Issilva

Iniciou a sua actividade de intérprete com Alvaro García de Zúñiga e pouco a pouco foi assumindo também um papel de co-criação e de criação. As primeiras gravações são de 1998: “Canções bio(i)lógicas sem aditivos” e, com Leopold von Verschuer, a peça de ni théâtre: “Actueur”. Participou nas peças “Teatro Impossível” (Acarte, 1998), “Sur Scène et Marne” com o contrabaixista Jean-Pierre Robert (Festival Música Viva no Instituto Franco-Português, 1999), na peça radiofónica “Manuel” (3X52’) da WDR (2002 e 2003). Grava para a RDP-A2 o programa de AGZ a partir de textos de Wittgenstein “Lógicus e Filosóficus” (2007). No mesmo ano, fez, com William Nadylam, uma “Leitura de um texto para o teatro” na Chartreuse de Villeneuve Lez Avignons, e Conferência de Imprensa, uma produção do Teatro Nacional de S. João.Criou o duo “Words & Soda” com o plástico e músico João Ricardo de Barros Oliveira, com o qual fizeram performances de poesia concreta e esculturas sonoras, em 2009 e 2010. Em 2010 coordena e participa como intérprete nas Les Mardites Lectures • Térfidas Leituras, na estreia de OtihOrih no Festival Silêncio / Jardim dos Sons e na peça Manuel d’irradiation iradio-action – co-produzida pelo Festival de Almada. Em 2011, novamente no Festival Silêncio, participou na performance selbisreveR sameoP com Matthias Breittenbach. Entre 2011 e 2014 foi comissária com Alvaro García de Zúñiga e José Luís Ferreira do ciclo Ler Dom Quixote no Teatro Municipal de São Luiz. Desde 2014, dedica-se à divulgação da obra de Alvaro García de Zúñiga, nas suas múltiplas vertentes: teatro, literatura, obra plástica, obra acústica ou ensaio. Em 2015 formaliza a associação blablaLab, que criou com AGZ em 1996. No âmbito da blablaLab concebeu, montou, coordenou e participou como intérprete em diversas performances, incluindo instalações, criações sonoras, e edição de textos, desenvolvidas a partir da obra AGZ e de outros autores com ela relacionados.

Desde 2014, Alínea B. Issilva (alias Teresa Albuquerque), participou na performance “LANGUE IMMAÎTRISÉE / UNBEHERRSCHTE SPRACHE”, em Berlim, e realizou diversas instalações, vídeo, acústicas e visuais sob a designação « Alvaro: Manuel – AGZ de A a Z » na Cidade Marazzo, em S. Paulo. Concebeu, dirigiu e participou nas performances de teatro musical / leituras-concerto: Manuel (d’) O’Culto (The Irish One), O’Culto; Manuel d’deslivres et d’anse, Gaivotas; Manuel de Conserve y Converse y Accíon, Conservatório Nacional; Manuel ArtsBirthRadioDays, O’Culto (transmitido em direto pela RDPA2 e em diversas rádios europeias no âmbito do programa Ars Acustica); Manuel de Pó e Ética, blablaLab; Manuel Musaico de Pó e Ética, Museu Nacional de Grão Vasco; Alvy&Arts Birthday the third and the thiertie(st)th, blablaLab; Leitura de RadiOthello, em colaboração com o Teatro Língua, blablaLab; Provavelmente um corpo, leitura encenada por Fernando Mora Ramos, blablaLab; ImPrécis de Conjugaison Manuelle, com David Poullard, Guillaume Rannou e Pedro Braga Falcão.

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