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Orquestra Barroca de Mateus | 13 de Agosto de 2019

Dir. Ricardo Bernardes

Fundación Vicente Risco e Casa de Mateus

 

De Pergolesi a Almeida Mota: Portugal e Galiza – Música e Cultura no Séc. XVIII

No séc. XVIII imperava a música italiana por toda a Europa, tendo figuras notáveis como Handel e Mozart a escreverem no melhor estilo napolitano. Na Península Ibérica não foi diferente, sendo terra de excelentes compositores que souberam absorver e adaptar as diversas linguagens musicais que cá chegavam para criarem suas próprias obras. Este concerto propõe uma digressão circular, uma viagem sonora que parte das raízes do barroco musical napolitano com Alessandro Scarlatti e Giovanni Pergolesi – e suas influências em Portugal e na Galiza, para um retorno às origens estilísticas com o célebre Stabat mater do mesmo Pergolesi. O compositor português João Pedro de Almeida Mota, que escreveu tanto música sacra latina, quanto vilancicos em castelhano e ópera em italiano, é dos melhores exemplos dos músicos e das músicas que circularam entre as duas regiões nesse período. Almeida Mota formou-se em Lisboa e trabalhou em Braga para partir para Mondonhedo, Tui e Santiago de Compostela antes de passar por Lugo e Astorga para terminar seus dias no privilegiado posto de um dos compositores da Capela Real em Madrid. No presente cocnerto realiza-se a estreia moderna da aria Mi sento il cor trafiggere, única obra em língua italiana do compositor encontrada em arquivos espanhóis.

O Stabat Mater de Pergolesi será a peça central deste programa. Trata-se de uma das obras mais conhecidas do Barroco, que relata de forma pungente o sofrimento de Maria perante a crucificação de Jesus. Encomendada por uma confraria Italiana para a sua meditação de Sexta-feira Santa em honra da Virgem Maria, esta obra para Soprano e Alto terá sido uma das últimas compostas por Pergolesi na sua curta vida (1710-1736), mas que ainda no séc. XVIII atingiu notável sucesso. Neste programa será também apresentada outra obra de carácter mariano: o Salve Regina de Alessandro Scarlatti, para duas vozes e orquestra, com o qual apresenta algumas semelhanças do ponto de vista de ambiente musical. O programa contará ainda com duas obras instrumentais: um concerto de Vivaldi e uma sinfonia de Avondano que visam, à semelhança da prática comum na época barroca das sonata da chiesa, criar um momento puramente instrumental que nos prepara para a reflexão e audição dos textos sacros das obras vocais.

 

PROGRAMA

 

Antonio Vivaldi (1678-1741)

Concerto para cordas e contínuo em fá maior RV 138

Allegro – Adagio – Allegro

 

Alessandro Scarlatti (1660-1725)

Salve Regina para soprano, alto, cordas e contínuo

 

João Pedro Avondano (1714-1782)

Sinfonia para cordas em fá maior

Allegro – Adagio – Minuetto

 

João Pedro de Almeida Mota (1744-1817)

Mi sento il cor trafiggere, aria para soprano e orquestra

 

Giovanni Battista Pergolesi (1710-1736)

Stabat mater para soprano, alto, cordas e contínuo

 

Orquestra Barroca de Mateus

A Orquestra Barroca de Mateus, sob a direção artística e musical do maestro e musicólogo Ricardo Bernardes, é formada por alguns dos melhores músicos actuantes em Portugal e Espanha, especializados na interpretação historicamente informada e com instrumentos de época.

O projeto de constituição da Orquestra nasce da tradição iniciada por Marie Leonhardt com o Ensemble Barroco de Mateus, num contexto que é hoje de recuperação e intensificação das actividades musicais da Fundação da Casa de Mateus, marcadas pela realização, nos últimos anos, dos ciclos de concertos Memórias e Caminhos de Mateus e do regresso dos Encontros Internacionais de Música, ambos centrados na exploração dos repertório e práticas das músicas antiga e barroca.

O seu repertório é abrangente, embora confira uma especial atenção à produção musical ibérica e de estética italianizante, bem como às suas ramificações no Brasil e na América Latina entre o séc. XVI e os inícios do séc. XIX.

O concerto inaugural da Orquestra, intitulado “Setaro, construtor de utopias”, celebra a disseminação da ópera no Norte de Portugal e na Galiza, entre os anos 50 e 70 do séc. XVIII, bem como a sua projecção em terras brasileiras através do 4º Morgado de Mateus, D. Luís António, Governador da Capitania-Geral de São Paulo entre 1765 e 1775. Depois deste concerto de estreia, a Orquestra prosseguirá a sua estratégia de construção de parcerias, afirmando a Fundação da Casa de Mateus como um pólo de produção e irradiação artísticas nos planos nacional e internacional.

 

MÚSICOS / INSTRUMENTOS

 

Mariana Castelo-Branco – soprano

Arthur Filemon – Alto

 

Tera Shimizu – violino I

Miguel Simões – violino I

César Nogueira – violino I

Raquel Cravino – violino II

Álvaro Pinto – violino II

Paul Wakabayashi – viola

Ana Raquel Pinheiro – violoncelo

Marta Vicente – contrabaixo

Catarina Sousa – cravo

Ricardo Bernardes – direcção musical